Trinta e cinco mil funcionários diretos, cerca de 20 mil empregos na cadeia de fornecedores e 2 mil novas vagas. Foram esses os números que Antonio Filosa, presidente mundial da Stellantis, levou ao Palácio do Planalto em 22 de julho de 2026, em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin e os ministros Dario Durigan e Márcio Elias Rosa. O grupo detalhou a execução do plano de R$ 30 bilhões para 2025-2030, apresentado em março de 2024 ainda sob Carlos Tavares. Em Betim, berço da Fiat no Brasil, entra um terceiro turno com 1.500 contratações. Em Porto Real, no sul fluminense, 500 pessoas vão compor o segundo turno que produzirá o Jeep Avenger. A fábrica de Porto Real, herdada de Peugeot e Citroën, tem R$ 3 bilhões previstos até 2030. A aposta tecnológica é o híbrido adaptado ao país, que combina motor elétrico e motor flex a gasolina ou etanol. A tecnologia Bio-Hybrid, desenvolvida em Betim, recebeu em março de 2025 financiamento de R$ 241,8 milhões do BNDES.
Renault abre a fábrica para a Geely
A Renault escolheu outra rota para crescer. Em 17 de novembro de 2025, no complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba, a montadora francesa e a chinesa Geely anunciaram R$ 3,8 bilhões para instalar novas plataformas na fábrica paranaense. A Geely, que meses antes havia comprado 26,4% da Renault do Brasil, vai montar seus carros ali e vendê-los pela rede de concessionárias Renault. A plataforma GEA, da Geely, dará origem a dois modelos no segundo semestre de 2026, mesmo período em que um veículo Renault será renovado. Uma plataforma totalmente elétrica receberá um novo Renault em 2027. Fabrice Cambolive, presidente da marca Renault, descreveu o acordo como uma cooperação estratégica em um mercado de alto potencial, e não uma joint venture tradicional. A fábrica já vinha ganhando peso. Em 6 de outubro de 2025, começou ali a produção mundial do SUV Boreal, exportado para dezessete países da América Latina. O modelo custou R$ 2 bilhões, dentro dos R$ 5,1 bilhões que a Renault aplicou no Brasil entre 2021 e 2025, e se soma ao Kardian na estratégia de carros desenhados para fora da Europa. A unidade é reconhecida pelo Fórum Econômico Mundial como farol da Quarta Revolução Industrial e é autossuficiente em energia solar. No primeiro semestre de 2025, o Brasil foi o sétimo mercado do Grupo Renault, com cerca de 60,8 mil vendas, alta de 8,8%. No ano, o grupo vendeu 2,34 milhões de veículos no mundo, 3,2% a mais, puxado pelos mercados internacionais, que cresceram 11,7%.
Michelin muda de estrada
A Michelin anunciou em 27 de junho de 2025 o fechamento da fábrica de Guarulhos, na Grande São Paulo, até o fim do ano, com cerca de 350 trabalhadores afetados. A unidade produzia câmaras de ar e pneus industriais, segmentos em que a importação asiática chega mais barata do que o custo de produzir no Brasil. As outras sete fábricas do grupo no país continuam, entre elas Resende (RJ), Campo Grande (MS) e Manaus (AM). A estratégia agora passa pelo campo: a divisão Beyond Road, de pneus agrícolas e de construção, faturou quase 6 bilhões de euros em 2024, e o agronegócio brasileiro é o principal vetor de crescimento na América do Sul, segundo Pedro Fernandes, diretor comercial do segmento na região. Para o brasileiro que estudou ou trabalhou na França, Curitiba, Betim e Porto Real procuram engenheiros e gestores que conheçam os métodos das matrizes francesas.