4 de novembro de 2026

Economia franco-brasileira Investigação

Salmonela, progesterona, antibióticos: nove anos de alertas contra a carne brasileira

Da Operação Carne Fraca, em março de 2017, à suspensão de 3 de setembro de 2026, as autoridades europeias multiplicaram medidas contra a carne brasileira. Cronologia com datas e fontes, com a JBS em várias etapas.

Foto : Pixabay / nadya_il

Março de 2017. As primeiras notificações de Estados-membros sobre salmonela em frango brasileiro datam desse mês, segundo os considerandos do regulamento de execução (UE) 2018/700 da Comissão Europeia. Em 17 de março de 2017, a Polícia Federal deflagra a Operação Carne Fraca contra fiscais corruptos e carnes adulteradas, com JBS e BRF entre as empresas visadas. A União Europeia pede uma reunião de emergência com Brasília.

2018: vinte estabelecimentos riscados das listas

Em 8 de maio de 2018, a Comissão adota o regulamento 2018/700. Ele retira vinte estabelecimentos brasileiros das listas autorizadas a exportar para a União: frango, carne moída, preparados e produtos à base de carne. Dois motivos. Primeiro, não conformidades repetidas e graves por salmonela desde março de 2017, cujas medidas corretivas brasileiras não demonstraram eficácia. Segundo, uma fraude nas certificações de laboratório revelada em março de 2018, que retirou as garantias dos estabelecimentos da BRF S.A. e da SHB S.A. Em julho de 2019, a Repórter Brasil mostraria que frango contaminado recusado pela Europa era revendido no mercado brasileiro.

2025-2026: hormônios e antibióticos

Novembro de 2025. A Comissão ordena a retirada do varejo e a proibição de venda de lotes de carne bovina comercializados pela JBS, originários da unidade de Campo Grande, após alertas da Itália, dos Países Baixos e da Espanha, segundo o site Boulevard Voltaire em 1º de setembro de 2026. O motivo: detecção de progesterona, um hormônio. No fim de maio de 2026, segundo a Reuters citada pelo mesmo site, Pequim também suspende a carne de uma unidade da JBS após detectar progesterona em lotes testados.

8 de maio de 2026. A eurodeputada polonesa Jadwiga Wiśniewska (grupo ECR) apresenta uma pergunta escrita citando salmonela em 80% das amostras testadas de um lote de três toneladas de frango brasileiro. A Comissão responde em 10 de julho.

12 de maio de 2026. Um comitê de especialistas dos Estados-membros vota por unanimidade a retirada do Brasil da lista de países em conformidade com as regras europeias sobre antimicrobianos, segundo a Euronews. O Brasil é o primeiro país retirado dessa lista. Em jogo: a proibição de antibióticos como promotores de crescimento e a de tratar animais com moléculas reservadas a humanos. « Os acordos comerciais não mudam nossas regras », declara a porta-voz Eva Hrnčířová. O regulamento de execução (UE) 2026/1189, assinado em 4 de junho de 2026, fixa a lista, segundo o Suno Notícias.

3 de setembro de 2026. A suspensão entra em vigor para bovinos, aves, ovos, mel, aquicultura, equinos e tripas. A Comissão afirma não ter encontrado nenhum lote contaminado: o Brasil não consegue documentar a ausência de antibióticos proibidos ao longo de toda a vida dos animais. Em 21 de outubro, ela propõe reincluir o Brasil para frango e mel, mas não para carne bovina.

O que esses alertas têm em comum

As medidas de 2018 e de 2025 miravam produtos identificados: lotes de frango, lotes de carne bovina. As de 2026 não se apoiam em nenhum lote contaminado. Elas julgam o próprio sistema de controle brasileiro: certificados, laboratórios, registros veterinários. A Que Choisir lembra que a União realizou sessões de informação para seus parceiros comerciais em janeiro de 2023, junho de 2023 e março de 2024 antes de aplicar a regra às importações. O Brasil teve mais de três anos.