5 de novembro de 2026

Economia franco-brasileira

Pré-sal, vento e linhas de transmissão: as francesas que apostam na energia do Brasil

A TotalEnergies produz cerca de 200 mil barris por dia no Brasil e sobe para 49% da Casa dos Ventos. A Engie investiu R$ 6 bilhões em 2025. A EDF vendeu sua térmica a gás e mudou de foco.

Foto : Pixabay / ambquinn

Em 31 de agosto de 2026, a TotalEnergies exerceu a opção de compra que negociou quatro anos antes e passou de 34% para 49% da Casa dos Ventos, uma das maiores desenvolvedoras de energia eólica do país. O fundo Salus, ligado à família Araripe, fica com 51%. A operação também transfere para a Casa dos Ventos as sociedades de projetos renováveis que a petroleira francesa controlava no Brasil e ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). A parceria começou em outubro de 2022, com a compra dos 34% por cerca de R$ 4,2 bilhões, em torno de um portfólio de 12 gigawatts em projetos eólicos, solares e de armazenamento em baterias.

Petróleo em alto-mar

O vento é a segunda perna de uma empresa que, no Brasil, ainda vive do pré-sal. A TotalEnergies produz cerca de 200 mil barris por dia a partir de nove plataformas do tipo FPSO, depois de uma média de 153 mil barris de óleo equivalente em 2024. Em maio de 2025, o FPSO Alexandre de Gusmão entrou em operação no campo de Mero, na Bacia de Santos, com capacidade de 180 mil barris por dia e doze poços conectados. Com cinco unidades, Mero pode chegar a 770 mil barris por dia. A Petrobras opera o campo com 38,6%; TotalEnergies e Shell têm 19,3% cada; as chinesas CNOOC e CNPC, 9,65% cada; e a estatal PPSA, 3,5%. O projeto Lapa Sudoeste, uma interligação de três poços por quinze quilômetros, deve somar 25 mil barris diários. Olivier Bahabanian, diretor-geral da TotalEnergies no Brasil, disse à BNamericas em novembro de 2025 que a empresa não participou dos últimos leilões por falta de oportunidades dentro de seus critérios, mas que ainda há muito a descobrir perto das instalações existentes. A relação com a Petrobras também cruzou o Atlântico: em fevereiro de 2026, a estatal brasileira comprou 42,5% do bloco 2613, na Namíbia, operado pela TotalEnergies. Para Magda Chambriard, presidente da Petrobras, a aquisição de novos blocos é fundamental no planejamento de médio e longo prazo.

Engie cresce, EDF enxuga

A Engie Brasil Energia investiu R$ 6 bilhões em 2025 e alcançou 12,4 gigawatts de capacidade instalada. O complexo eólico de Assuruá, na Bahia, tem 846 megawatts; o complexo solar Assú Sol, no Rio Grande do Norte, 753 megawatts. A companhia opera 3,2 mil quilômetros de linhas de transmissão, negócio que virou peça-chave para levar a energia do Nordeste aos grandes consumidores do Sudeste. Eduardo Sattamini, presidente da empresa, definiu 2025 como um ciclo relevante de investimentos em ativos de grande escala. No terceiro trimestre de 2025, o lucro líquido ajustado foi de R$ 731 milhões. Foi o presidente do conselho da Engie, Jean-Pierre Clamadieu, quem repassou em junho de 2025 a projeção de R$ 100 bilhões em investimentos franceses no Brasil em cinco anos. A EDF seguiu outro caminho. Em 16 de março de 2026, concluiu a venda da termelétrica a gás de Norte Fluminense, em Macaé, para a Âmbar Energia, por R$ 1,4 bilhão, cerca de 230 milhões de euros. A usina de 827 megawatts, inaugurada em 2004, ficou vinte anos nas mãos dos franceses. Antes da venda, a EDF power solutions somava 2,7 gigawatts no país, entre gás, hidrelétricas, eólica e solar, além de ativos de transmissão. O Brasil, por sua vez, exporta cada vez mais petróleo: segundo o Tesouro francês, as vendas de óleo bruto se aproximaram de um recorde mensal em setembro de 2026, com mais de 5 bilhões de euros. Para o brasileiro formado em engenharia na França, energia é o setor em que mais se abrem portas nos dois lados do oceano.