O governo francês quer elevar o teto do Livret A, a caderneta de poupança regulamentada do país. O argumento é financiar a adaptação da infraestrutura pública às mudanças climáticas. Os liceus (escolas de ensino médio) estão entre os prédios citados. O site franceinfo questiona quem realmente vai se beneficiar da medida: o Estado, os poupadores ou os bancos.
Argumento climático, bancos céticos
Segundo o Executivo, o aumento do teto deve permitir mobilizar mais recursos para adaptar os equipamentos públicos aos efeitos das mudanças climáticas. O Livret A é uma poupança regulamentada. O dinheiro depositado financia projetos de interesse geral. Com um teto maior, cada poupador pode aplicar mais, o que aumenta os recursos disponíveis.
Os bancos não estão convencidos. Eles manifestam dúvidas sobre a medida, num contexto de desinteresse dos poupadores por esse produto. A lógica é simples: elevar o teto não obriga ninguém a depositar mais. Se os poupadores se afastam do Livret A, um limite mais alto não basta para atrair o dinheiro esperado. A nota de origem não detalha todos os motivos desse ceticismo.
O valor do novo teto e a data de entrada em vigor não constam das informações disponíveis. Será preciso esperar o texto oficial.
O que muda para os brasileiros na França
O Livret A está aberto a qualquer pessoa com domicílio fiscal na França, seja qual for a nacionalidade. Os brasileiros que vivem no país podem ter um, limitado a um por pessoa. Os juros não são tributados.
Para quem guarda dinheiro em euros, seja para o depósito de caução do aluguel, um projeto de moradia ou uma reserva de emergência, um teto maior daria mais espaço numa aplicação com resgate a qualquer momento. A medida, porém, não tem efeito direto sobre o câmbio entre o euro e o real. Também não muda os trâmites para abrir a conta. O mais prudente é aguardar os detalhes do dispositivo antes de reorganizar a poupança.