4 de novembro de 2026

Brasil

Pix, Nubank e bancos: a revolução financeira brasileira vista da França

O Pix movimentou R$ 35,4 trilhões em 2025 e o Nubank lucra US$ 1 bilhão por trimestre. Quem vive na França pode aproveitar o sistema, desde que mantenha um pé no Brasil.

Foto : Pixabay / viarami

Em 2025, o Pix processou 79,8 bilhões de operações e movimentou R$ 35,36 trilhões, segundo o Banco Central. Em 2024, tinham sido 63,5 bilhões de operações e R$ 26,24 trilhões. O valor transacionado cresceu 33,6% em um ano. De janeiro a maio de 2026, foram 36,3 bilhões de transações e R$ 16 trilhões, perto de 3 mil operações por segundo. Mais de 75% dos brasileiros usam a ferramenta, criada pelo Banco Central em novembro de 2020, mais do que cartão de débito ou dinheiro vivo. Em cinco anos, o Pix virou a infraestrutura básica da economia.

Ele também começou a cruzar fronteiras. Em agosto de 2026, o governo brasileiro divulgou a lista de oito países onde um brasileiro pode pagar escaneando um QR code com o aplicativo do seu banco: Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Portugal, Espanha e França. O valor aparece em reais, com câmbio e custos, antes da confirmação. O Banco Central lembra que não existe um Pix Internacional oficial: intermediários como PagBrasil, Getnet e Verifone fazem a conversão e pagam o comerciante. A vantagem está no custo. Compras com cartão no exterior pagam IOF de 5,38%, enquanto as plataformas de Pix usam estruturas próprias de câmbio.

Nubank, o banco sem agência mais rentável que o Itaú

O Pix abriu caminho para os bancos digitais. O Nubank, fundado em São Paulo em 2013, anunciou em 13 de agosto de 2026 lucro trimestral recorde de US$ 1 bilhão, alta de 49% em um ano, com mais de 100 milhões de clientes no Brasil, no México e na Colômbia. O retorno sobre o patrimônio chegou a 33%, contra cerca de 22% do Itaú e uma faixa histórica de 18% a 22% dos grandes bancos brasileiros. A ação subiu 10% no after market da Bolsa de Nova York. Os bancos tradicionais responderam com aplicativos próprios e tarifas menores. Quem ganhou foi o cliente: a tarifa de manutenção de conta praticamente desapareceu para pessoas físicas.

O Banco Central segue acrescentando peças. O Pix Automático substitui o débito automático em assinaturas e contas de consumo. O Pix por aproximação, com a mesma tecnologia do cartão sem contato, se espalha pelo varejo. O Pix parcelado, que permitiria dividir pagamentos, ainda está em estudo: quase 60 milhões de brasileiros não têm cartão de crédito. Na segurança, o Mecanismo Especial de Devolução (MED) e o monitoramento de chaves foram reforçados.

O outro lado: fintechs e lavagem de dinheiro

A facilidade para abrir conta também atrai o crime organizado. Em 28 de agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto mirou fintechs usadas pelo Primeiro Comando da Capital para lavar dinheiro de postos e distribuidoras de combustível. Uma nova fase atingiu outras instituições em 28 de maio de 2026. O setor pede regras proporcionais, para não matar a concorrência que derrubou preços. O regulador responde que a integridade do sistema vem primeiro.

Manual de uso para quem vive na França

O brasileiro residente na França pode continuar usando conta e aplicativo do exterior para pagamentos no Brasil: aluguel de um parente, boletos, compras online. Três condições práticas se impõem: CPF regular, número de celular brasileiro para validações e situação fiscal definida, já que a declaração de saída definitiva muda a natureza da conta no banco. Abrir uma conta nova a distância segue difícil, porque a maioria das instituições exige endereço no Brasil. Para pagar na França com Pix, depende do comerciante: só aceitam o QR code brasileiro os estabelecimentos equipados por um intermediário parceiro. A rede cresce rápido. Segundo a PagBrasil, cerca de 22,5% ao mês.