No domingo, 8 de novembro, às 13h em ponto, os portões se fecham para 5.055.818 candidatos. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), criado em 1998, continua sendo a principal porta de entrada das universidades públicas e de boa parte das privadas. No primeiro dia, cinco horas e meia de prova: redação, linguagens e ciências humanas. No domingo seguinte, cinco horas de matemática e ciências da natureza. Até 18 de outubro, os candidatos escolheram entre inglês e espanhol na prova de língua estrangeira; quem perdeu o prazo fará inglês.
A edição de 2026 traz duas novidades. Pela primeira vez, os concluintes do ensino médio da rede pública foram inscritos automaticamente, para elevar a participação dos mais pobres; eles tiveram de responder a um questionário socioeconômico com cerca de vinte perguntas antes de ver o local de prova. E o Enem passa a integrar o Saeb, o sistema nacional de avaliação, para medir as competências esperadas ao fim do ensino médio, e não só a capacidade de entrar na universidade. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) liberou os locais de prova em 27 de outubro. Em paralelo, o Fies, financiamento estudantil federal, reabriu 50 mil vagas até 3 de novembro.
Campi ameaçados
O semestre começou em clima pesado. Em 7 de outubro, um incêndio destruiu o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife: R$ 100 milhões de prejuízo e até vinte anos de pesquisa perdidos, segundo o ministério. Foi o terceiro incêndio no campus em oito dias. Em 11 de outubro, o Ministério da Educação acionou a Polícia Federal e a Advocacia-Geral da União depois de ameaças, espalhadas nas redes e acompanhadas de símbolos nazistas, contra pelo menos dez universidades federais, entre elas UFF, UFOP, UFPA e UFSM. O ministro Leonardo Barchini disse temer que a violência escale.
Em 21 de outubro, o governo tentou responder a uma queixa antiga dos pesquisadores: a burocracia. Um parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, apresentado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, permite que universidades e institutos públicos importem diretamente equipamentos e insumos com imunidade tributária, por meio de suas fundações de apoio. Durigan falou de universidades cujo papel está em risco e cobrou resultados para a população. A procuradora Anelize Lenzi Ruas de Almeida avisou que não se trata de um cheque em branco.
Cérebros saem, o Canadá recruta
O Brasil forma bem e retém mal. As bolsas da Capes e do CNPq, congeladas por dez anos, só foram reajustadas em 2023. O resultado é que recrutadores estrangeiros vêm buscar talentos aqui. De 20 de outubro a 9 de novembro, a iniciativa Québec Recrute recebe candidaturas de engenheiros, soldadores, técnicos de mineração e estudantes para as universidades Laval e de Sherbrooke, com entrevistas em São Paulo nos dias 5 e 6 de dezembro. Agnico Eagle, Pomerleau e EPC Canadá estão entre os empregadores. A França atrai principalmente pelos doutorados cofinanciados e pelas taxas baixas, mas sem campanha de recrutamento comparável.
Os defensores do sistema federal lembram que ele produz a maior parte da pesquisa brasileira e que o acesso se ampliou com as cotas e o Enem. Os críticos, em geral liberais, apontam uma gratuidade que beneficia as classes mais ricas, campi caros e uma governança que resiste a qualquer avaliação externa. No meio, uma geração faz contas. Para muitos jovens brasileiros na França, o Enem segue como referência: a nota é aceita por várias universidades portuguesas e condiciona o acesso a bolsas e financiamentos federais no Brasil.