A Embraer divulgou em 23 de outubro de 2026 uma carteira de pedidos de US$ 35,7 bilhões ao fim do terceiro trimestre. É o maior valor da história da empresa, 3% acima do trimestre anterior e 14% acima do mesmo período de 2025. A aviação comercial responde por US$ 15,8 bilhões, a executiva por US$ 8,2 bilhões, a defesa por US$ 6,1 bilhões e os serviços por US$ 5,6 bilhões. No dia 2 de outubro, a terceira maior fabricante de aviões do mundo já havia informado 66 entregas no trimestre, alta de 6% em um ano e o melhor terceiro trimestre de sua história: 22 jatos comerciais (11 E175, 4 E190-E2 e 7 E195-E2), 41 jatos executivos e 3 aeronaves de defesa. Em nove meses, 175 aviões saíram das fábricas, contra 153 em 2025.
A companhia mantém as metas de 2026: de 80 a 85 entregas comerciais e de 160 a 170 jatos executivos. O Itaú BBA, que esperava 67 aeronaves no trimestre, classificou o dado como levemente negativo, mas manteve a recomendação de compra. A ação acumulava alta superior a 9% no ano no início de outubro.
E2 conquista companhias do Brasil ao Japão
O trimestre trouxe 36 pedidos firmes para a família E2 e 30 opções ou direitos de compra. Desde janeiro, são 72 E2 vendidos em firme. O maior contrato veio do próprio Brasil: a Abra, holding que controla Gol e Avianca, assinou por 20 E195-E2 firmes, 10 opções e 15 direitos de compra, até 45 aeronaves, com a primeira entrega prevista para o quarto trimestre de 2027. O CEO da Abra, Adrian Neuhauser, afirmou que o avião dará ao grupo mais flexibilidade para buscar novas oportunidades. Até aqui, a Azul era a única companhia brasileira a operar Embraer em voos regulares.
A Europa acompanha. A espanhola Binter acrescentou 5 E195-E2; a luxemburguesa Luxair converteu 3 direitos de compra em pedidos firmes e chegou a 9 aeronaves em carteira. No Japão, a ANA Holdings encomendou mais 8 E190-E2 e soma 23 aviões firmes. Em defesa, a Força Aérea Colombiana contratou dois KC-390 Millennium. Em serviços, a empresa assinou contratos de longo prazo para 19 E190 da Portugália e 40 E190 da Alliance Airlines.
Duelo com a Airbus e vigilância sobre tarifas
No segmento de 100 a 150 assentos, a rival direta é o A220 da Airbus, herdado do programa canadense CSeries. A Boeing deixou essa faixa depois de abandonar a parceria com a brasileira em 2020. A outra frente é comercial. Em julho de 2025, o governo Trump impôs tarifa de 50% sobre a maior parte dos produtos brasileiros; aviões ficaram com 10%. Em 24 de fevereiro de 2026, um decreto isentou aeronaves comerciais, motores e peças da tarifa global de 10% criada depois que a Suprema Corte americana derrubou as tarifas anteriores. Segundo a Forbes Brasil, a isenção reduz a desvantagem da Embraer diante da Bombardier e da francesa Dassault, cujos jatos executivos já entravam sem tarifa nos Estados Unidos. Uma investigação do Departamento de Comércio sobre importações aeronáuticas, com base na seção 232, continua aberta.
Para o Brasil, a Embraer segue como vitrine de uma indústria de alto valor agregado, nascida de um projeto de Estado em 1969 e privatizada em 1994. Seus clientes europeus, de Lisboa a Luxemburgo, mostram que uma fabricante do Sul pode impor padrões no mercado mais exigente do mundo.