7 de novembro de 2026

Economia franco-brasileira

Carrefour aposta tudo no Atacadão e Casino sai de cena: o varejo francês no Brasil

O Carrefour fechou o capital da filial brasileira e quer 20% do mercado até 2030, com 70 novos Atacadão. O Casino, agora Plesio, se desfez do controle do GPA, que renegocia R$ 4,5 bilhões em dívidas.

Foto : Pixabay / Alexas_Fotos

Em 7 de outubro de 2026, a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial do GPA, dono do Pão de Açúcar e do Extra. O plano abrange R$ 4,568 bilhões em créditos quirografários e contou com a adesão de credores que detêm 57,49% desses valores. Cerca de R$ 2 bilhões serão pagos até 2036 e R$ 1,1 bilhão pode ser convertido em ações. A empresa diz que as operações seguem normalmente e que fornecedores e clientes estão fora da negociação. O episódio marca o fim de uma era: por duas décadas, o GPA foi o braço brasileiro do grupo francês Casino.

Casino vira Plesio e deixa a América Latina

O Casino, de Saint-Étienne, foi assumido em abril de 2024 por um consórcio liderado pelo bilionário tcheco Daniel Kretinsky, depois da maior reestruturação de dívida já negociada na França. Para sobreviver, vendeu seus ativos latino-americanos: 18,8% e depois 11,7% do Assaí, por 723 e 403 milhões de euros; 34% do colombiano Éxito, por 400 milhões de euros, em janeiro de 2024; e parte do GPA, reduzindo sua fatia a 22,5% ainda em 2024. Em 20 de outubro de 2026, o grupo anunciou que passa a se chamar Plesio, palavra derivada do grego para « proximidade ». No conselho do GPA, Yann Fourmy foi eleito em setembro de 2026 após a renúncia de Helene Bitton. O varejista brasileiro agora caminha sozinho.

Carrefour, o caminho oposto

O Carrefour fez a aposta inversa. O grupo comprou o Atacadão em 2007 por R$ 2,2 bilhões, quando a rede tinha 34 lojas, e a transformou no maior operador de atacarejo do país. Em 2021, levou o Grupo BIG, ex-Walmart Brasil, por R$ 7,5 bilhões, em negócio concluído em junho de 2022 que o tornou o maior empregador privado do Brasil. Veio depois o enxugamento: as lojas caíram de 1.203 no fim de 2022 para 1.000 em março de 2025, último dado detalhado antes de o Carrefour recomprar as ações dos minoritários e tirar a filial da B3, em 2025. Foram 123 fechamentos definitivos. Em 18 de fevereiro de 2026, o presidente mundial do grupo, Alexandre Bompard, apresentou o plano estratégico até 2030, « radicalmente focado no crescimento e na melhoria da rentabilidade ». A meta é chegar a 20% de participação no mercado brasileiro, com 70 novas lojas Atacadão, para um total de 455, dobrar o volume de vendas on-line da bandeira e lançar até 2028 a marca própria Bulnez, com 500 itens. Os investimentos do grupo, de 1,8 bilhão de euros em 2026 e cerca de 2 bilhões por ano até 2030, vão prioritariamente para o Brasil, para inteligência artificial e para dados.

As outras bandeiras francesas

Fora dos supermercados, as marcas francesas seguem crescendo com discrição. A Leroy Merlin Brasil opera 60 lojas em onze estados e no Distrito Federal, com mais de 100 mil itens. A L’Oréal, no país desde 1959, emprega 3 mil pessoas, vende 20 marcas e mantém no Brasil seu único centro de pesquisa e inovação da América Latina, no que a empresa define como o quarto maior mercado de beleza do mundo. Decathlon, Louis Vuitton e Sephora têm endereço em São Paulo. Para o brasileiro que vive na França, essas redes também são empregadoras: vendedores, gerentes de loja e compradores bilíngues fazem a ponte com as sedes de Massy, Lille ou Clichy.