Desde 1º de janeiro de 2026, o brasileiro que pede seu primeiro cartão de residência plurianual precisa comprovar francês de nível A2 e passar em uma prova cívica. É a principal novidade do ano, criada pela lei de 26 de janeiro de 2024 sobre controle da imigração e integração e detalhada pelo Decreto nº 2025-648, de 15 de julho de 2025, e por uma portaria de 10 de outubro de 2025. A prova dura até 45 minutos, em tela: 40 questões de múltipla escolha (28 de cultura geral, 12 de situações do dia a dia), com 32 acertos exigidos. Ela é feita em centro credenciado, antes de protocolar o pedido, e o certificado não vence. Renovações estão dispensadas, assim como maiores de 65 anos no caso dos cartões de residência.
Estudante, assalariado, cônjuge, talento
Quatro cartões cobrem a maior parte das situações. O cartão « étudiant » exige matrícula em uma instituição de ensino e renda mínima de 877,50 euros por mês; o cartão temporário vale um ano e, depois, um plurianual pode cobrir o restante do ciclo de estudos. A renovação custa 100 euros e o plurianual, 150 euros, pagos em selos fiscais (timbres fiscaux).
O cartão « salarié » (contrato CDI) ou « travailleur temporaire » (CDD) depende de uma autorização de trabalho solicitada pelo empregador. Vale um ano e, mantido o CDI, passa a quatro anos na renovação, desde que os critérios de integração sejam cumpridos. Primeiro cartão: 350 euros; renovação: 250 euros. O cartão « vie privée et familiale » do cônjuge de cidadão francês exige casamento transcrito, vida em comum efetiva e, se o casamento foi celebrado na França com visto de curta duração, seis meses de convivência. Vale um ano e custa 350 euros.
O cartão « talent », que substituiu o passeport talent, é voltado a profissionais qualificados (salário bruto anual mínimo de 39.582 euros), titulares do cartão azul europeu (59.373 euros), pesquisadores, empreendedores e investidores. Pode chegar a quatro anos e custa 350 euros. Em todos os casos, o silêncio da prefeitura por quatro meses equivale a recusa, e um pedido fora do prazo gera uma taxa de regularização de 180 euros.
ANEF: balcão único e gargalo
Os pedidos são feitos pela internet, na plataforma ANEF (administração digital para estrangeiros na França), no mínimo dois e no máximo quatro meses antes do vencimento do documento atual. O comprovante de protocolo sai na hora; a prefeitura convoca depois para coleta de digitais e entrega do cartão. Na prática, a espera aumenta. Questionado no Senado em 28 de maio de 2026 pela senadora Laurence Harribey, o governo admitiu que o número de cartões e documentos provisórios em circulação cresceu 57% em dez anos e que os prazos de análise continuam subindo. Em maio de 2026, o Conselho de Estado responsabilizou o Estado pelo funcionamento da ANEF. Em 5 de abril de 2026, o ministro do Interior enviou instrução aos prefeitos com reforço excepcional de pessoal, renovação automática dos comprovantes de prorrogação de análise e validade das digitais biométricas ampliada de cinco para dez anos.
Como evitar ficar sem documento
Três cuidados reduzem o risco. Protocolar assim que a janela de quatro meses abrir. Guardar o comprovante de prorrogação de análise, que mantém o direito de residir e trabalhar. Antecipar as novas exigências: teste de francês e prova cívica pedem preparação, e o material oficial está em formation-civique.interieur.gouv.fr. Um Decreto nº 2026-1001, de 26 de outubro de 2026, altera ainda, a partir de 30 de outubro, regras de notificação e de prazos; as fichas do service-public.gouv.fr estão sendo atualizadas.