3 de novembro de 2026

Cultura

Literatura brasileira na França: Carvalho, Carelli, Souza e uma livraria do 5º

A Métailié acumula traduções, a Chandeigne prepara uma antologia bilíngue de poesia e a Librairie Portugaise & Brésilienne recebe autores em novembro. A Maison du Brésil, por sua vez, abriga os arquitetos de Le Corbusier.

Foto : Pixabay / Pexels

Uma livraria da rue des Fossés-Saint-Jacques, no 5º arrondissement, a poucos passos do Panthéon, concentra boa parte da vida literária brasileira em Paris. A Librairie Portugaise & Brésilienne, nos números 19 e 21, ligada à editora Chandeigne, programou para novembro um lançamento com Cristina Fontenele e Regina Ribeiro no dia 13, das 19h às 21h, mediado por Guilherme Duran, e uma sessão de autógrafos e conversa com o escritor de ficção científica Alexey Dodsworth no dia 17. A Chandeigne, que publicou Luiz Ruffato (“À Lisbonne j’ai pensé à toi”) e a carta de Pero Vaz de Caminha de 1500 em edição bilíngue, anuncia “La poésie du Brésil, anthologie bilingue” entre os próximos lançamentos.

Métailié, a porta de entrada

A editora que mais traduz brasileiros continua sendo a Métailié, com 62 entradas na rubrica Brasil do catálogo. Em 29 de agosto de 2025 ela lançou “Les Remplaçants”, versão de “Os Substitutos”, de Bernardo Carvalho, traduzido por Elisabeth Monteiro Rodrigues: 208 páginas, 21 euros. Durante a ditadura, pai e filho sobrevoam a Amazônia num avião pequeno; o pai negocia com militares, o menino lê um romance de ficção científica. A editora fala em “um grande romance, feroz e comovente”. Carvalho, nascido em 1960 no Rio de Janeiro, ex-correspondente da Folha de S.Paulo em Paris e Nova York, já tinha publicado na mesma casa “La Dernière Joie du monde” (“O Último Gozo do Mundo”), traduzido por Danielle Schramm, em 19 de janeiro de 2024. Na Zulma, Itamar Vieira Junior segue com “Charrue tordue”, tradução de “Torto Arado” assinada pelo romancista Jean-Marie Blas de Roblès, livro que chegou à lista final do International Booker Prize.

Amazônia em romance e em história

Dois outros títulos da Métailié mostram o peso da floresta no mercado francês. “Terre noire”, tradução de “Terrapreta”, de Rita Carelli, por Marine Duval, saiu em bolso em 21 de março de 2025 (256 páginas, 11 euros): uma adolescente paulistana acompanha o pai arqueólogo a uma aldeia indígena, conhece os ritos de iniciação das meninas e volta anos depois a um rio sem peixes e a uma mata em chamas. Nascida em 1984, formada em letras e teatro em Paris, Carelli colaborou com os livros do líder indígena Ailton Krenak. “Amazonie”, história da região da era pré-colombiana aos desafios do século XXI, de Márcio Souza (464 páginas, 25 euros), chegou às livrarias em 4 de outubro de 2024, menos de dois meses depois da morte do autor em Manaus, em 12 de agosto de 2024. Do lado das ideias, a Maison du Brésil, na Cité internationale universitaire, segue como ponto de encontro dos pesquisadores. Encomendada a Lucio Costa em 1952, retrabalhada por Le Corbusier, mobiliada por Charlotte Perriand e Jean Prouvé, inaugurada em 1959 e tombada como monumento histórico desde 1985, ela recebe em 26 e 27 de novembro de 2026 os XXIII Encontros da Fundação Le Corbusier, sobre o tema “A natureza está sempre presente”.