A França foi o maior mercado europeu de “O Agente Secreto”. A base Lumière, do Observatório Europeu do Audiovisual, registra 194.936 ingressos vendidos no país em 2025, de um total de 319.760 no continente. Portugal vem a seguir, com 60.401, e a Alemanha, com 33.501. O filme de Kleber Mendonça Filho estreou nas salas francesas em 17 de dezembro de 2025, distribuído pela Ad Vitam e coproduzido pela MK2 e pela Arte France Cinéma. Abriu em 184 cinemas de 146 cidades e ficou em segundo lugar na bilheteria da semana, atrás apenas de “Avatar”. O jornal Le Monde o chamou de obra-prima. Um ano depois do Oscar de melhor filme internacional de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, o cinema brasileiro provou que tem público do outro lado do Atlântico.
Globos de Ouro sim, Oscar não
A temporada de prêmios começou bem. Em 11 de janeiro de 2026, “O Agente Secreto” venceu dois Globos de Ouro: melhor filme em língua não inglesa e melhor ator em drama, para Wagner Moura. O Brasil não ganhava a primeira categoria desde “Central do Brasil”, em 1999. No palco, o ator definiu o filme como uma obra “sobre memória, a falta dela e um trauma geracional” e encerrou com “Viva o Brasil. Viva a cultura brasileira”. O Oscar, em 15 de março, foi mais duro. Quatro indicações, incluindo melhor filme e melhor ator, a primeira de um brasileiro nessa categoria, e nenhuma vitória. “Valor Sentimental” levou o prêmio de filme internacional e Michael B. Jordan, o de ator. Moura ainda apresentou a categoria de direção de elenco, na qual o brasileiro Gabriel Domingues estava indicado, e fechou o discurso com um “Parabéns”.
Cannes virou a página, Paris não
Em Cannes, a 79ª edição do festival, de 12 a 23 de maio de 2026, não teve nenhum brasileiro entre os 22 longas da competição presidida por Park Chan-wook. O país apareceu só por meio de uma coprodução, “Elefantes na Névoa”, do nepalês Abinash Bikram Shah, na mostra Un Certain Regard. Em Paris, quem manteve a programação foi o Festival de Cinema Brasileiro, organizado pela associação Jangada no cinema L’Arlequin, 76 rue de Rennes. A 28ª edição aconteceu de 7 a 14 de abril de 2026, com ficções e documentários, a maioria inédita na França e boa parte inédita no próprio Brasil. O festival diz reunir mais de 5 mil pessoas por ano.
O que ainda dá para ver
O segundo semestre trouxe um título inesperado. “Ma famille de samouraïs”, versão francesa de “Meu Avô é um Nihonjin”, animação de Célia Catunda coproduzida por Brasil e Japão, chegou às salas em 16 de setembro de 2026 pela Gebeka Films. Adaptado do romance “Nihonjin”, acompanha Noboru, um menino de São Paulo dos anos 1980 que pergunta ao avô Hideo sobre a chegada dele ao Brasil em 1920. Duração: 1h22. Para quem perdeu os dois grandes filmes da década, a televisão francesa cobre o atraso. “O Agente Secreto” passou no Canal+ Cinéma(s) em 17 de setembro. “Ainda Estou Aqui”, com Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, vai ao ar no canal Arte em 23 de novembro de 2026, às 20h55. E o próximo encontro nas salas continua sendo o Festival de Cinema Brasileiro de Paris, todo mês de abril, no Arlequin.