“Não acredito que essa primária vai acontecer.” A frase é de Édouard Philippe, no domingo, 1º de novembro, no estúdio da TF1. O prefeito de Le Havre e candidato do partido Horizons respondia a Gabriel Attal, que quatro dias antes havia proposto uma “grande primária dos democratas”. Para Philippe, essa disputa juntaria “continuadores do macronismo” e candidatos que estendem a mão à união das direitas, como David Lisnard, gente que não se entende: seria “uma primária da divisão e uma primária da confusão”. Ele joga a decisão para fevereiro: “No mês de fevereiro, cada um assumirá suas responsabilidades”. Na manhã de segunda, no mesmo canal, Gabriel Attal manteve a posição: “No fim, acredito que essa primária vai acontecer. É inevitável.” O presidente do Renaissance não aceita um segundo turno entre Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon e se dá até o início de 2027.
Uma família política sem líder
Édouard Philippe está alguns pontos à frente de Gabriel Attal nas pesquisas, mas em queda, e as sondagens apontam por enquanto um segundo turno entre a Reunião Nacional e a França Insubmissa. Yaël Braun-Pivet, presidente da Assembleia Nacional, defende um “candidato único” do centro e da direita. Bruno Retailleau é o nome dos Republicanos. David Lisnard, prefeito de Cannes e presidente da Associação dos Prefeitos da França (AMF), também é candidato, o que lhe rende uma contestação interna antes do congresso dos prefeitos, de 24 a 26 de novembro: o socialista Jean-François Debat afirma que “não apoiamos David Lisnard para a presidência” da associação, e Philippe Laurent, prefeito centrista de Sceaux, concorre contra ele. Gérald Darmanin apoia Édouard Philippe. Dominique de Villepin diz ter passado de 300 promessas de apoio de prefeitos para se candidatar.
A polêmica sobre imigração
Na revista Le Point, na semana anterior, e depois na TF1, Édouard Philippe considerou “patente” a “sobrerrepresentação” de jovens de origem imigrante entre os saqueadores de lojas no fim de semana de 17 de outubro, citando Charles Péguy: “ver o que se vê”. Na segunda, no X, ele pediu “a renovação do nosso modelo de integração” e um “combate determinado” contra as discriminações. A porta-voz do governo, Maud Bregeon, que o apoia, disse na franceinfo que ele “fala em voz alta o que muitos franceses pensam em silêncio”. À esquerda, Olivier Faure (PS) o acusa de derivar “nas águas negras dos preconceitos racistas”, Marine Tondelier (Ecologistas) critica Maud Bregeon por repetir uma fórmula de Jean-Marie Le Pen, e Jean-Luc Mélenchon fala em “clientelismo racialista”. Dominique de Villepin denunciou uma “virada política”. O debate acontece dez dias depois do atentado racista de Trappes.
Para os brasileiros na França
O primeiro turno está marcado para 18 de abril de 2027. Os candidatos do centro e da direita falam a um eleitorado que pede ordem e uma integração que funcione, dois temas que dizem respeito diretamente aos 4,5 milhões de estrangeiros em situação regular, brasileiros incluídos. Édouard Philippe promete apresentar suas propostas até fevereiro: é aí que se saberá o que a “renovação do modelo de integração” significa para os títulos de residência, a naturalização e o aprendizado do francês.