3 de novembro de 2026

França

Escolas bloqueadas e universidades paradas: a volta às aulas não acalma a revolta

O ministério contou 41 liceus bloqueados na manhã de segunda; a União Sindical dos Estudantes fala em 150. As organizações convocam novos bloqueios na terça e adesão à greve geral de quinta.

Foto : Pixabay / analogicus

Na segunda-feira, 2 de novembro, às 9h30, o Ministério da Educação contava 41 liceus bloqueados entre cerca de 3.700, pouco mais de 1%. A União Sindical dos Estudantes do ensino médio (USL) contava 150. Nas universidades, cerca de 15% dos estabelecimentos tiveram perturbações, segundo o ministro Philippe Baptiste. Em Marselha, sete dos 75 liceus estavam bloqueados, de acordo com estudantes militantes; em Toulouse, a AFP constatou pelo menos sete bloqueios; a prefeitura do Rhône registrou aglomerações diante de 15 estabelecimentos. Em Lyon, a polícia de choque desfez sem incidentes o bloqueio do liceu Ampère, e uma pessoa foi detida na periferia por uso de fogos de artifício do tipo morteiro.

Seis semanas de mobilização

O movimento começou em meados de setembro. A frente sindical (USL, Unef, Fage e Union étudiante) exige 10 bilhões de euros para a educação e o ensino superior, além do fim do Parcoursup, a plataforma de acesso à universidade. Em 26 de outubro, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou sua resposta ao lado de Édouard Geffray (Educação) e Philippe Baptiste (Ensino Superior): substituição progressiva do Parcoursup para a campanha de 2028, cancelamento dos cortes de vagas de professores, criação de 500 cargos, teto de 28 alunos por turma no primeiro ano do ensino médio já em 2027 em metade das escolas públicas, até 15 mil vagas a mais nas universidades, 1 bilhão de euros para prédios universitários e 3 mil professores substitutos em sala desde 2 de novembro. As organizações falaram em “primeiro passo” e mantiveram o movimento.

Na France Inter, Édouard Geffray considerou os bloqueios “a priori bastante residuais”, mas alertou: centenas de milhares de alunos do último ano estão sem aula há quatro ou cinco semanas, e o ano letivo está “em risco”. Na LCP, Philippe Baptiste foi mais direto: “o problema do bloqueio é que estamos jogando fora uma parte significativa do ano universitário”. O gabinete do primeiro-ministro diz estar pronto para receber os estudantes de novo na semana que vem. Do lado dos alunos, Anton, 17 anos, do liceu Berthelot de Toulouse, resumiu à AFP: “Não são dois anúncios do governo, que vão caducar em alguns meses, que vão parar o movimento.”

Terça, quinta e depois

A Unef quer transformar a terça-feira em “um dia negro nas universidades”. Na região de Paris, o coletivo Interfac pretendia marchar do Panthéon até a sede do Medef, a confederação patronal; a polícia propôs um trajeto na periferia, recusado pelo coletivo, que estuda recorrer ao tribunal administrativo. Na quinta, 5 de novembro, estudantes do ensino médio e universitários vão se juntar à greve geral contra o custo de vida. Entre os diretores de escola, Agnès Andersen (ID-FO) descreve um clima em que “ninguém sabe o que esperar, todo mundo está um pouco em alerta”.

Para as famílias brasileiras

Os alunos do último ano são os mais expostos: a avaliação contínua conta para o baccalauréat, e as semanas perdidas não serão todas recuperadas. Para quem vai passar pelo Parcoursup em 2027, as regras já mudam: a carta de motivação vira exceção, cada recusa terá de ser explicada e os critérios de seleção serão publicados. O teto de 28 alunos valerá primeiro só para metade das escolas públicas, as que recebem os alunos de menor renda, antes de ser estendido a todas em 2028. Na prática, consultar toda manhã o site da escola e o portal digital (ENT) continua sendo a forma mais segura de saber se haverá aula.