4 de novembro de 2026

França

Greve de 5 de novembro: depois de três sábados de protesto, é a vez dos trabalhadores

CFDT, CGT, FO, Unsa e FSU convocam greve na quinta-feira, com apoio da CFE-CGC, da CFTC, dos estudantes e dos coletes amarelos. As previsões de tráfego da SNCF e da RATP saem na terça.

Foto : Pixabay / HubertdeThé

A França viveu três sábados seguidos de manifestações contra o custo de vida, em 17, 24 e 31 de outubro. Agora vem a greve. Na quinta-feira, 5 de novembro, uma frente sindical formada no início de outubro por CFDT, CGT, FO, Unsa e FSU convoca uma jornada nacional de paralisação. CFE-CGC e CFTC aderiram, assim como a Solidaires. As organizações de estudantes se juntam ao movimento, e a coordenação dos coletes amarelos fala em um “5 de novembro do povo”, seguido de um “ato IV” nos dias 6 e 7. Para Sophie Binet, secretária-geral da CGT, “será um grande dia de convergência com os trabalhadores do setor privado”.

O que os sindicatos pedem

Aumento de salários, defesa dos serviços públicos e do emprego e revisão do projeto de orçamento de 2027, que a CGT considera “catastrófico para o país”. Recebidos em 21 de outubro pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu, os sindicatos dizem não ter obtido nada, embora um aumento do salário mínimo tenha sido mencionado. Frédéric Souillot (FO) espera que “na noite do dia 5 o Executivo perceba o tamanho” das reivindicações. Caroline Chevé (FSU) avisa que “um dia não vai bastar”. A CGT convoca assembleias nos locais de trabalho para decidir se a greve continua.

Transporte, escolas, farmácias

Os chamados à greve atingem o ensino público e privado, o funcionalismo, as mutualistas de saúde, os bancos, os médicos e os farmacêuticos. Uma frente sindical do transporte urbano convoca uma nova etapa. Os trabalhadores portuários já pararam por 24 horas na sexta. A SNCF e a RATP divulgam as previsões de circulação de trens e metrôs na terça; as companhias aéreas, na quarta. Em Paris, o trajeto da passeata é motivo de atrito: a polícia recusou os itinerários pelo centro nos dois últimos sábados, e o Conselho de Estado confirmou a proibição do percurso Bastille-Nation. “Não vamos nos esconder, convenhamos!”, reagiu Sophie Binet. Thomas Vacheron (CGT) acusa: “Está tudo organizado para dividir, para radicalizar”.

O saldo dos sábados pesa. Segundo o Ministério do Interior, 320 mil pessoas marcharam em 31 de outubro (quase 500 mil, segundo os sindicatos), contra 410 mil em 24 de outubro. As detenções caíram de 2.628 em 17 de outubro para 1.436 no dia 24 e 779 no dia 31. Em 31 de outubro, 116 policiais e gendarmes ficaram feridos, 515 focos de incêndio foram apagados e 36 lojas foram danificadas, três delas saqueadas. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, classificou de “tentativa de homicídio” o coquetel molotov lançado contra um gendarme em Paris. A CCI France contou mais de 2.500 comércios atingidos em 17 de outubro.

Para os brasileiros na França

Na quinta, é bom contar com menos trens e metrôs, escolas sem cantina ou sem aula e farmácias fechadas. Trabalhadores brasileiros do setor privado não são obrigados a aderir; quem para não recebe pelo dia. Microempreendedores e comerciantes com ponto no caminho das passeatas devem conferir a apólice de seguro, já que a lei dos “vândalos pagadores” aprovada pelo Senado ainda não está em vigor. Os atendimentos nas prefeituras não são cancelados automaticamente: na dúvida, vale conferir o e-mail de convocação ou telefonar.