A derrota eleitoral de Donald Trump renova a esperança dos europeus. Os democratas passam a controlar o Congresso. Em Bruxelas e em várias capitais, muitos veem uma chance de Washington mudar o tom nos grandes temas. Ucrânia, Irã e o Estreito de Ormuz estão no topo da lista.
O que o Congresso pode mudar
A primeira esperança diz respeito à Ucrânia. Com maioria democrata, os Estados Unidos poderiam reforçar o apoio a Kiev. A segunda envolve o Irã. O Congresso poderia questionar a guerra no país. São as duas hipóteses levantadas pela análise da BFMTV.
Mas o presidente americano mantém grande liberdade de ação na política externa. Os democratas não comandam a Casa Branca. Donald Trump continua com a palavra final nas decisões que importam. Na Ucrânia, no Irã ou em Ormuz, a vitória democrata pode, portanto, mudar pouca coisa.
Há duas leituras. Os otimistas apostam em um Congresso mais firme diante do Executivo. Os céticos respondem que o poder de decisão continua com a Presidência. A análise se inclina para a segunda.
Um recuo anterior a Trump
A análise lembra um ponto que os europeus fariam mal em esquecer. A retirada americana do Velho Continente começou bem antes da chegada de Donald Trump. Ela não depende de um só homem nem de uma só eleição.
Para a Europa, a questão da própria defesa continua em aberto. Ela envolve orçamento, soberania e a capacidade de agir sem esperar o sinal verde de Washington.
Para os brasileiros que vivem na França, nada muda no curto prazo em documentos ou emprego. Os efeitos possíveis passam pelos mercados e pela energia. Uma tensão em torno do Irã ou de Ormuz pode pesar nos preços e no câmbio entre o euro e o real. É um ponto a acompanhar nas próximas semanas.