Ganhar mais que os pais na mesma idade está cada vez mais raro. Segundo números divulgados pela BFM TV, isso acontecia com 95% dos franceses aos 30 anos. Hoje, são apenas 58%.
A França não é um caso isolado. Em todos os países desenvolvidos, a proporção de pessoas de 30 anos com renda superior à dos pais na mesma idade não para de cair.
Um crescimento mais lento
A principal causa apontada é a desaceleração do crescimento econômico. Os Trinta Gloriosos, do pós-guerra até meados dos anos 1970, trouxeram uma alta rápida e constante da renda. Cada geração partia de um patamar mais alto que a anterior.
Esse período acabou. Quando a riqueza produzida cresce mais devagar, a renda também sobe mais devagar. Superar os pais fica, por consequência, mais difícil.
O número, porém, não diz tudo. Comparar duas rendas não mede o padrão de vida completo. O preço da moradia, os gastos do dia a dia e os bens de consumo não são os mesmos de uma época para outra. A pergunta da BFM TV, se se vivia melhor antes, continua em aberto.
Duas leituras no debate público
Uma primeira leitura coloca o crescimento no centro. Para recuperar terreno, é preciso mais investimento, mais empresas e mais produtividade. É isso que faz a renda subir de forma duradoura. Sem crescimento, há menos riqueza para dividir.
Uma segunda leitura destaca a distribuição e o custo de vida, sobretudo da moradia. Ela entende que a queda também tem a ver com a forma como rendas e despesas se repartiram entre as gerações. As duas abordagens concordam num ponto: o aumento automático da renda deixou de existir.
Para os brasileiros que vivem na França, a constatação tem efeitos práticos. O salário não sobe mais sozinho de uma geração para outra. O orçamento se constrói ao longo do tempo: emprego, aluguel, poupança. Quem envia dinheiro ao Brasil também precisa acompanhar o câmbio entre o euro e o real.