Ligar o aquecimento o mais tarde possível: é o desafio que usuários do TikTok na França se impõem. Segundo a franceinfo, que publicou a reportagem em 6 de novembro, eles trocam dicas para suportar o frio e adiar o momento de girar o botão do radiador. A frase «Le chauffage avant décembre ? Jamais !» (aquecimento antes de dezembro? Nunca!) dá o tom desses vídeos.
Jeitinho e pobreza energética
Os internautas fazem piada com os recursos que usam para não aquecer a casa. O humor predomina. Mas, por trás das brincadeiras, a franceinfo também registra relatos de pobreza energética. A causa apontada é a inflação, que obriga famílias a cortar gastos, inclusive com aquecimento.
A reportagem não traz números sobre o tamanho do fenômeno. Por isso, não é possível dizer quantas famílias são afetadas. Ela apresenta a tendência como sinal de dificuldades financeiras reais para muitos lares franceses.
O tema alimenta um debate conhecido. Uns pedem mais ajuda direcionada às famílias de baixa renda. Outros defendem a redução dos impostos sobre a energia e o apoio à produção, para baixar as contas de forma duradoura. Essas posições não são detalhadas na reportagem, mas estruturam a discussão pública sobre poder de compra.
O que muda para os brasileiros na França
Muitos brasileiros moram de aluguel e passam o primeiro outono ou inverno francês com orçamento apertado. O custo do aquecimento pesa diretamente no aluguel e nas despesas do imóvel. Alguns cuidados ajudam.
Confira no contrato de locação se o aquecimento é coletivo ou individual. Isso define quem paga e como a conta varia. Se você tem contrato com uma fornecedora de energia, pode pedir para diluir os pagamentos ao longo do ano ou negociar um parcelamento em caso de dificuldade.
Existe também o «chèque énergie», um auxílio concedido conforme a renda declarada ao fisco francês e a composição da família. Declarar a renda na França pode, portanto, fazer diferença, mesmo com valores modestos.
Por fim, quem envia dinheiro ao Brasil sente o efeito: uma conta de energia mais alta reduz a sobra do orçamento, seja qual for a cotação do euro em relação ao real.